Quando Steven Spielberg tinha 7 anos de idade, seu pai prometeu levá-lo para ver o que seria  “o maior show da Terra”. Descreveu com sendo uma apresentação com domadores de leões, palhaços, trapezistas, e Steven logo imaginou tratar-se de um espetáculo circense.

Por isso, sentiu-se traído quando descobriu tratar-se de um filme sobre o circo – que veriam numa pequena sala de cinema – e não do circo em si.

Quando as luzes se apagaram, “The Greatest Show on Earth“, de Cecil B. DeMille, começou a ser projetado na tela e logo o sentimento de traição desapareceu. Na metade do filme, o pequeno Spielberg estava imerso em sua primeira experiencia cinematográfica, e uma cena, em especial, impressionou-o. Um acidente no qual um carro, indo na contramão de uma linha férrea, colide com um trem, a toda velocidade.

A cena – feita com miniaturas, num  realismo impressionante para a época – mostrava o trem descarrilando e era, também, o primeiro contato de Spielberg com os efeitos especiais.

Spielberg saiu do cinema aficionado não por filmes. Menos ainda por efeitos especiais.

Ele criou uma fixação por trens elétricos e, a partir de então, passou a colecioná-los. Gostava de fazer os trens andarem em direções opostas e vê-los colidirem – repetindo a cena do filme, diante de seus olhos -, e muitas vezes chegou a quebrá-los.

Foi uma bronca de seu pai, por vê-lo danificar as miniaturas, que  fez Steven pegar a filmadora 8mm daquele e registrar a colisão dos trens elétricos – de forma que pudesse revê-la quantas vezes quisesse, sem quebrar os brinquedos.

E assim Spielberg fez seu primeiro filme, com a inocência de uma criança, sem pretensão alguma.

Sou um admirador de Spielberg, mas não sabia dessa história, quando assisti a Super 8 – o filme de J. J. Abrams em homenagem a Steven.

Sabia que seria um filme nostálgico, com um toque de “Goonies”, “ET”, e até alguma coisa de “Jurassic Park”, mas não tinha idéia de que a homenagem teria toques sutis, em detalhes que pegam a história pessoal do próprio diretor.

Ouvindo Spielberg discursar sobre seu primeiro contato com o cinema – na Academy of Achievement, em 2006 – é impossível não ver a conexão entre seu relato e a cena do acidente de trem de Super 8 – onde um carro choca-se com um trem e o evento é captado pela câmera super 8 de uma turma de pré-adolescentes, aspirantes a cineastas.

O video desse discurso, na Academy of Achievement, é inspirador em diversos aspectos e termina com um conselho curioso.

Segundo Spielberg, muitas vezes nossos sonhos aparecem não repentinos, mas sorrateiros. Não surgem berrando, diante de nossos olhos, e sim como um sussurro em nossos ouvidos.

Foi assim com a brincadeira dos trens elétricos e com os filmes que se seguiram em sua infância e adolescência – até Spielberg perceber que não tinha mais opção a não ser tornar-se cineasta.

“Para seguir nossa intuição e nossos instintos, precisamos estar preparados para escutar aquilo que sussura em nossos ouvidos. Nossos sonhos raramente berram, muitas vezes eles só sussurram.”

Se você conhece o Matte Painting – técnica de criar cenários para filmes e séries, a partir de pinturas -, deve saber que a técnica evoluiu bastante, com o advento dos efeitos especiais digitais. Criar e compôr pinturas, direto no computador, permite tornar o efeito mais maleável e convincente.

Mesmo assim, é interessante ver como a técnica era usada antigamente, quando os cenários eram pintados em vidro e compostos opticamente, pois não havia o auxílio do computador.

Abaixo, um episódio da extinta (e excelente) série “Movie Magic”, do Discovery Channel. Quem gosta de efeitos especiais, recomendo procurar pelos outros episódios da série, também.

Ed. Catmull, Steve Jobs e John Lasseter

Steve Jobs pouco teve a ver com o processo criativo dos filmes da Pixar.

Foi sim muito importante na parte empresarial, batendo de frente com os chefões da Disney e investindo pesadas quantias de dinheiro, logo que a comprou de George Lucas, em seu início. A seu modo, foi um dos grandes responsáveis por tornar a Pixar uma marca importante e poderosa. Mas participou pouco da criação dos filmes.

Mesmo assim, é interessante ver como algumas de suas frases e idéias estão presentes nas animações da Pixar.

Colette - Ratatouille (2007)

Quando tentava motivar a equipe que criou o primeiro Macintosh, na década de 80, Steve Jobs costumava dizer que, em tudo que se faz, “o importante é a viagem” (ou seja, a experiência de fazer algo tem que ser ainda mais prazerosa que o resultado atingido).

Essa acabou tornando-se uma frase conhecida sua, que foi também a frase tema de Carros.

“Na vida, o importante é a viagem”.

Steve Jobs dizia que a equipe original do Mac era  formada por “artistas e piratas”. Isso tornou-se um lema da equipe, que ficava isolada do resto da Apple, num prédio à parte. Em dado momento, eles chegaram a hastear uma bandeira pirata sobre o prédio, numa ato de brincadeira e rebeldia simultâneas.

Jobs sempre se considerou um artista, e também um pirata (um rebelde), e imprimia esses espírito em sua equipe.

Assistindo Ratatouille, outro dia, me surpreendi ao ver a personagem Colette descrever a equipe de cozinheiros. Falava da origem diferente de cada cozinheiro, da paixão pela cozinha, e por fim declarava, empolgada: “Somos artistas! Piratas!”.

A conexão entre aquela fala e os relatos na biografia de Jobs parecia óbvia.

Além do lado empresarial, foi Jobs quem projetou o famoso prédio da Pixar. O edifício foi pensado de forma a ter uma grande área de convivência que, por sua arquitetura, promoveria encontros ao acaso, entre os passantes. Esses encontros, segundo Jobs, estimulariam a troca de idéias e a criatividade. Steve dedicou-se com tamanho cuidado e atenção aos detalhes da contrução, que Lasseter dizia que o prédio era “o filme de Steve”. Como o próprio Lasseter constatou,  de fato o ambiente promovia os encontros casuais criativos.

Quase terminando a biografia de Steve Jobs, começa a dar uma ponta de tristeza.

Não só pelo tom melancólico que a narrativa adquire, agora que se aproxima de sua morte. Também por tratar-se de um dos melhores livros que já li, e está acabando.

Sempre achei estranho quem venerava demais Steve Jobs, mas lendo sua biografia é possível entender porque seus feitos causavam tanto alvoroço.

Obsessivo, desequilibrado, visionário, gênio. Steve Jobs não escapou ao destino infalível, que todos compartilhamos. Mas com certeza sua viagem foi notável.

Freddie Highmore

Freddie Highmore

Novamente, sobre atores, alguém em quem vale prestar atenção é Freddie Highmore.

O primeiro filme em que o vi foi “Em Busca da Terra do Nunca”, atuando ao lado de Johnny Depp.

Highmore é um daqueles prodígios que se revelam cedo. Tem um carisma forte, mas discreto, sem exageros. Sabe dosar sua atuação e parece não fazer grande esforço para marcar sua presença em cena.

Em “Crônicas de Spiderwick”, interpreta dois irmãos gêmeos de personalidades bastante distintas, e nessa hora seu talento fica evidente.

As Crônicas de Spiderwick

As Crônicas de Spiderwick

A propósito, recomendo o filme para aqueles que gostam de personagens 3D – como eu – e que não têm nenhuma reserva em relação a filmes infanto-juvenis, desde que sejam criativos.

Vale pela presença Highmore, pelos bons personagens (humanos e não-humanos) e pela história da família (pais separados, filho-problema), que é interessante e se mescla bem com o universo fantasioso do filme.

Script Magazine

Script Magazine

Para quem gosta de escrever roteiros, essa dica recebi do Leo Monteiro de Barros (produtor da Conspiração Filmes), num curso sobre film business que fiz com ele, pela Escola São Paulo (aliás, recomendo os cursos dessa escola).

A dica é a Script Magazine, revista norte-americana especializada em roteiros, que tem umas entrevistas muito boas com grandes roteiristas, explicando os métodos e os caminhos que eles tomam, na hora de escrever um filme.

A revista é bimestral, em inglês, e pode ser assinada daqui do Brasil, pelo site deles, efetuando o pagamento por meio de cartão de crédito.

As matérias são bem completas, as entrevistas muito boas, e tem ainda algumas sessões fixas como a do “Dr. Format”, que tira dúvidas sobre formatação, e a “Scene Fix”, com dicas de profissionais sobre como melhorar uma cena.

Aprendo muito a cada edição que chega. Aliás, quando chega a seguinte, fico com a sensação de que poderia ter aprendido ainda mais com a anterior (estou sempre revisitando a edição passada).

A edição de Janeiro/Fevereiro foi um especial sobre os filmes do Oscar. A seguinte, de Março/Abril, tem umas matérias muito legais, com destaque para a matéria sobre a adaptação de Coraline e a matéria “Anatomy of a Scene”, destrinchando uma cena de Watchmen.

Leitura muito boa, mesmo!

Para quem não conhecia e quer investir em roteiros, vale a pena assinar. Para quem é curioso pelo assunto, vale também…

Exemplo de stop motion animal, feito por japoneses!

Paul Giamatti

Paul Giamatti

Algo que gosto no cinema é conhecer novos atores.

Há alguns anos, assisti na TV um filme chamado “O Rei da Baixaria” (pois é…), que contava a história de Howard Stern, o famoso locutor de rádio  dos EUA. O filme é, como diz o nome, uma baixaria, mas até que diverte.

Lembro que um dos atores me chamou a atenção, interpretando um produtor da rádio Msnbc cuja função era atormentar a vida do Howard. O cara era engraçadíssimo e não precisava se esforçar para isso. Sem trejeitos, caretas, ações forçadas. A graça do ator vinha do seu carisma e do realismo que dava o personagem.

Mais tarde, esse ator tornou-se conhecido e eu descobri que seu nome era Paul Giamatti.

Alguns filmes dos quais ele participou: Sideways, Cinderella Man, O Resgate do Soldado Ryan, O Ilusionista, Planeta dos Macacos, A Negociação e até mesmo (essa eu não sabia) a animação Robôs, dublando um personagem menor, mas engraçadíssimo.

Sideways

Sideways

Em Sideways, ele interpreta um escritor alcóolatra e depressivo e consegue ser hilário no papel, ao mesmo tempo em que é comovente. Talvez seja seu melhor papel. Mas ele também consegue se destacar interpretando personagens secundários, como o treinador Joe Gould, em Cinderella Man. É memorável a cena em que ele entra no ringue e quer partir para cima do adversário de Jim Braddock – o adversário é um boxeador capaz de partir o treinador ao meio -, tipo de cena que funciona bem, porque o ator já construiu algo, ao longo do filme.

Ver Giamatti ganhando respeito e visibilidade é duplamente interessante. Primeiro, mostra que talento e carisma ainda são coisas valorizadas pela indústria – a tendência agora é dizer que só a aparêcia é valorizada, mas não acredito muito nisso. Segundo, é sinal de que podemos esperar mais filmes bons, com personagens interessantes e bem interpretados por ele (seja como protagonista ou coadjuvante).

Enfim, para quem não conhece, é um nome que recomendo prestar atenção.

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