Ed. Catmull, Steve Jobs e John Lasseter

Steve Jobs pouco teve a ver com o processo criativo dos filmes da Pixar.

Foi sim muito importante na parte empresarial, batendo de frente com os chefões da Disney e investindo pesadas quantias de dinheiro, logo que a comprou de George Lucas, em seu início. A seu modo, foi um dos grandes responsáveis por tornar a Pixar uma marca importante e poderosa. Mas participou pouco da criação dos filmes.

Mesmo assim, é interessante ver como algumas de suas frases e idéias estão presentes nas animações da Pixar.

Colette - Ratatouille (2007)

Quando tentava motivar a equipe que criou o primeiro Macintosh, na década de 80, Steve Jobs costumava dizer que, em tudo que se faz, “o importante é a viagem” (ou seja, a experiência de fazer algo tem que ser ainda mais prazerosa que o resultado atingido).

Essa acabou tornando-se uma frase conhecida sua, que foi também a frase tema de Carros.

“Na vida, o importante é a viagem”.

Steve Jobs dizia que a equipe original do Mac era  formada por “artistas e piratas”. Isso tornou-se um lema da equipe, que ficava isolada do resto da Apple, num prédio à parte. Em dado momento, eles chegaram a hastear uma bandeira pirata sobre o prédio, numa ato de brincadeira e rebeldia simultâneas.

Jobs sempre se considerou um artista, e também um pirata (um rebelde), e imprimia esses espírito em sua equipe.

Assistindo Ratatouille, outro dia, me surpreendi ao ver a personagem Colette descrever a equipe de cozinheiros. Falava da origem diferente de cada cozinheiro, da paixão pela cozinha, e por fim declarava, empolgada: “Somos artistas! Piratas!”.

A conexão entre aquela fala e os relatos na biografia de Jobs parecia óbvia.

Além do lado empresarial, foi Jobs quem projetou o famoso prédio da Pixar. O edifício foi pensado de forma a ter uma grande área de convivência que, por sua arquitetura, promoveria encontros ao acaso, entre os passantes. Esses encontros, segundo Jobs, estimulariam a troca de idéias e a criatividade. Steve dedicou-se com tamanho cuidado e atenção aos detalhes da contrução, que Lasseter dizia que o prédio era “o filme de Steve”. Como o próprio Lasseter constatou,  de fato o ambiente promovia os encontros casuais criativos.

Quase terminando a biografia de Steve Jobs, começa a dar uma ponta de tristeza.

Não só pelo tom melancólico que a narrativa adquire, agora que se aproxima de sua morte. Também por tratar-se de um dos melhores livros que já li, e está acabando.

Sempre achei estranho quem venerava demais Steve Jobs, mas lendo sua biografia é possível entender porque seus feitos causavam tanto alvoroço.

Obsessivo, desequilibrado, visionário, gênio. Steve Jobs não escapou ao destino infalível, que todos compartilhamos. Mas com certeza sua viagem foi notável.